Quisera desmentir
as palavras ditas
quando aquecias meu corpo
contra o teu.
Meu coração indefeso
batia forte.
Risonho estavas
com aquele sorriso próprio
dos que conhecem a vida.
Tua alegria exuberante
contrastava com as sombras
dos meus pesares.
Fingias não ver.
Proceder tão teu
naquelas horas
de deleite.
Teu descanso
restaurava a minha vida.
Era convalescente
diante da tua coragem.
Mas uma dúvida
pairava sempre
entre nós.
Mulheres loquazes
tiravam meu sossego.
Desconhecias minhas inquietudes.
Apenas me fazias dormir,
alisando meus cabelos
encaracolados.
E me beijavas a fronte
com sussurros
de palavras ininteligíveis.
Mas por medo,
não fui capaz
de me apossar de ti.
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
Desventuras
Invento sonhos
para sobreviver.
Mas o silêncio de gerações
que carrego no peito
é fardo nos meus ombros.
Desafio a vida,
como se pudesse.
Espero o futuro
de perdas e dores
como é o porvir.
Sonho sem esperanças.
Sonho acordada.
Jogo fora as lembranças.
Não posso viver
do que já foi vivido
e acabado.
A dor está nos meus poros.
A cada esquina,
insisto na dor ancestral.
quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
Oceano
Penso que me amas
pelo avesso da vida
e fantasias o dia
em que me conheceste.
Não tenho mais ilusões
sobre o mar
nem sobre ti.
Não há como parar
as ressacas.
Nem as ondas.
Nem as marés.
Tampouco comprendo
a magia do deserto
que me atrai em sonhos.
Vejo miragens desérticas
nos teus olhos baços.
Como posso mirar-te assim?
Perda de tempo
a angústia que me toma
o corpo ao longo da vida.
Tento seguir lúcida
para o deserto incerto
do teu olhar mouro.
Não posso parar as ondas,
nem o tempo,
nem as marés.
pelo avesso da vida
e fantasias o dia
em que me conheceste.
Não tenho mais ilusões
sobre o mar
nem sobre ti.
Não há como parar
as ressacas.
Nem as ondas.
Nem as marés.
Tampouco comprendo
a magia do deserto
que me atrai em sonhos.
Vejo miragens desérticas
nos teus olhos baços.
Como posso mirar-te assim?
Perda de tempo
a angústia que me toma
o corpo ao longo da vida.
Tento seguir lúcida
para o deserto incerto
do teu olhar mouro.
Não posso parar as ondas,
nem o tempo,
nem as marés.
sexta-feira, 20 de julho de 2012
Meandros
Nas palavras percorro
planícies e prados
à procura de algo.
E nos livros escrevo
o que não conheço.
à procura de algo.
E nos livros escrevo
o que não conheço.
Não sei apartar-me
dos laços e nós.
Não sei apartar-me
dos sonhos da infância.
Não sei se são de afeto
ou desventura.
dos laços e nós.
Não sei apartar-me
dos sonhos da infância.
Não sei se são de afeto
ou desventura.
Uma vitória inútil
decifrar cada palavra
se é leve, secreta ou vazia.
Sei que cada palavra me seduz.
decifrar cada palavra
se é leve, secreta ou vazia.
Sei que cada palavra me seduz.
E de repente
tudo me parece insólito.
Um atroz silêncio.
Mais nada.
tudo me parece insólito.
Um atroz silêncio.
Mais nada.
Então me
acalmo.
terça-feira, 17 de abril de 2012
Caminhos
Brincos de princesa
adornam o jardim
da tua casa musical.
Os pássaros sussurram
na tarde morna.
Os sons da natureza
se mesclam
em cores matizadas.
Havia tanto silêncio
por lá...
Pensamentos vividos voam,
querendo definitivamente
se soltar.
O verbo livre
soletra palavras
não pensadas,
jamais ditas.
O chão de pedras toscas
do teu solário
tem marcas
de pés que hesitam.
Não sabem a força que têm.
As folhas ao vento tépido
farfalham comovidas.
Minha veste irreal
se despetala como crisálida
e se despede de algo
intangível.
Não há choro possível.
As lágrimas foram
gastas, todas.
E há um cântaro
cheio delas.
Águas salgadas,
vestidas de luto.
O tempo chama,
inclemente.
Não é mais possível
tecer quimeras.
Deixo-as, então.
Nada mais resta.
E sigo
por caminhos distantes
de tudo que fui.
adornam o jardim
da tua casa musical.
Os pássaros sussurram
na tarde morna.
Os sons da natureza
se mesclam
em cores matizadas.
Havia tanto silêncio
por lá...
Pensamentos vividos voam,
querendo definitivamente
se soltar.
O verbo livre
soletra palavras
não pensadas,
jamais ditas.
O chão de pedras toscas
do teu solário
tem marcas
de pés que hesitam.
Não sabem a força que têm.
As folhas ao vento tépido
farfalham comovidas.
Minha veste irreal
se despetala como crisálida
e se despede de algo
intangível.
Não há choro possível.
As lágrimas foram
gastas, todas.
E há um cântaro
cheio delas.
Águas salgadas,
vestidas de luto.
O tempo chama,
inclemente.
Não é mais possível
tecer quimeras.
Deixo-as, então.
Nada mais resta.
E sigo
por caminhos distantes
de tudo que fui.
quarta-feira, 28 de março de 2012
Fruta do Meio
A alma ferida
deságua errática
Na desordem mantida
preservo histórias
Sou a fruta do meio
e metade de mim
se perdeu no trajeto.
deságua errática
Na desordem mantida
preservo histórias
Sou a fruta do meio
e metade de mim
se perdeu no trajeto.
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Mortal
Chamaste-me de raio de sol
e acreditei na luz
que me envolvia o ser.
Alegrei-me com teu gesto
neste mundo indiferente.
Vi constelações silenciosas
e os astros a faiscar
em cores escarlate.
Um meteorito caiu do céu
em encantos estelares.
Confundi-me toda.
Nuvens brancas desenham
espaçonaves mágicas
e cometas cintilantes.
Lembro-me de histórias
de carneirinhos nos prados
e anjos alados a tocar instrumentos.
E de repente piso no chão molhado.
Sinto as pedras furando meu sapato.
Volto os olhos para o mundo real.
Abro minha natureza secreta.
Mil corações batem em
ritmo descompassado.
Asas abertas, quero voar
como os pássaros no horizonte.
Mas sinto minha própria dor
de criatura mortal.
e acreditei na luz
que me envolvia o ser.
Alegrei-me com teu gesto
neste mundo indiferente.
Vi constelações silenciosas
e os astros a faiscar
em cores escarlate.
Um meteorito caiu do céu
em encantos estelares.
Confundi-me toda.
Nuvens brancas desenham
espaçonaves mágicas
e cometas cintilantes.
Lembro-me de histórias
de carneirinhos nos prados
e anjos alados a tocar instrumentos.
E de repente piso no chão molhado.
Sinto as pedras furando meu sapato.
Volto os olhos para o mundo real.
Abro minha natureza secreta.
Mil corações batem em
ritmo descompassado.
Asas abertas, quero voar
como os pássaros no horizonte.
Mas sinto minha própria dor
de criatura mortal.
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
Crepúsculo
No crepúsculo da vida
te encontrei.
Vinhas distraído,
o rosto contrafeito
de ilusões desfeitas
e de andanças bem vividas.
Nos olhamos apenas,
mas nosso olhar
continha segredos
e esperanças.
Quis logo contar-te algo.
Quis falar-te das estrelas
comovidas no espaço.
Quis cantar o mais belo cântico
pra que te apaixonasses
por mim na mesma hora.
Mas a bruma te envolveu,
fiquei a solfejar a música dos céus
e te dei meus braços estendidos.
te encontrei.
Vinhas distraído,
o rosto contrafeito
de ilusões desfeitas
e de andanças bem vividas.
Nos olhamos apenas,
mas nosso olhar
continha segredos
e esperanças.
Quis logo contar-te algo.
Quis falar-te das estrelas
comovidas no espaço.
Quis cantar o mais belo cântico
pra que te apaixonasses
por mim na mesma hora.
Mas a bruma te envolveu,
fiquei a solfejar a música dos céus
e te dei meus braços estendidos.
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
A Hora Incerta
Hora em que todos os caminhos
atravessam num louco zigue-zague.
Em redor do silêncio,
vestígios da memória.
Não posso dizer
que seja um clamor
de vozes cansadas.
Corta-me o coração
os sussurros das dores
não apaziguadas.
É madrugada
e na noite insone
procuro estrelas isoladas.
Mas é melancólico
o lado escuro dos sonos
sem acalanto.
Traduzo o silêncio.
Não encontro sílabas
nem palavras.
Contemplo a cidade
e há rastros de lágrimas
caindo no espaço dos rios.
Mas o rio passa alheio.
O vento também não dorme
e esvoaça no universo
seus ruídos.
E o solene sentimento
de morte e vida
floresce entre pontes e edifícios.
atravessam num louco zigue-zague.
Em redor do silêncio,
vestígios da memória.
Não posso dizer
que seja um clamor
de vozes cansadas.
Corta-me o coração
os sussurros das dores
não apaziguadas.
É madrugada
e na noite insone
procuro estrelas isoladas.
Mas é melancólico
o lado escuro dos sonos
sem acalanto.
Traduzo o silêncio.
Não encontro sílabas
nem palavras.
Contemplo a cidade
e há rastros de lágrimas
caindo no espaço dos rios.
Mas o rio passa alheio.
O vento também não dorme
e esvoaça no universo
seus ruídos.
E o solene sentimento
de morte e vida
floresce entre pontes e edifícios.
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Cantata
Reinvento um sonho
para esquecê-lo depois.
Flores e borboletas
se esvaem das minhas mãos.
Imagino suas vidas.
Frágeis e breves
receptáculos de soluços
e belezas.
Dançam elas adoráveis.
Como são deslumbrantes
sob a luz do dia.
Mas soluçam suas dores
sob a sombra da noite.
Transitam de frio
e ninguém vê.
Saio de meu sonho.
O vento sopra
e fustiga meu rosto.
Eu me refugio do tempo
onde nada existe.
E o poema é apenas
uma palavra escrita.
para esquecê-lo depois.
Flores e borboletas
se esvaem das minhas mãos.
Imagino suas vidas.
Frágeis e breves
receptáculos de soluços
e belezas.
Dançam elas adoráveis.
Como são deslumbrantes
sob a luz do dia.
Mas soluçam suas dores
sob a sombra da noite.
Transitam de frio
e ninguém vê.
Saio de meu sonho.
O vento sopra
e fustiga meu rosto.
Eu me refugio do tempo
onde nada existe.
E o poema é apenas
uma palavra escrita.
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
Poema triste
Para o amigo Billy Blanco, in memoriam
Na tarde inacabada
dos ciclos vividos,
parto em busca
das utopias.
Vou com meus medos
e levo meu espanto
na bagagem.
Estou só com minha angústia.
Olho o sol e as flores
a me falar de belezas.
Quero agarrar a estrela
que caiu,
ainda iluminada.
Mas a chuva ao final da tarde
desvia meu olhar.
Os ruídos dos pingos
são monótona canção
nos meus ouvidos cansados.
Talvez o meu tédio
nesta cama triste e fria
seja a expressão inequívoca
do barulho da chuva.
E meu pranto
se dilui na chuva,
no riacho e no oceano,
e deságua talvez no amor.
Anunciaram a minha quase morte.
Meu pranto forte
é o choro da criança no berço
sem saber se tem fome
ou sede de afeto.
Meu pranto é o choro
da infância perdida,
dos amigos deixados.
Meu pranto é tudo que desconheço.
Estou no fosso do tempo.
Meu pranto é esta longa travessia
de vozes órfãs.
Meu pranto é choro convulso
pelas composições
que não vou mais criar.
É a falta da família que vou deixar.
Meu pranto é o abismo derradeiro.
E eu enfim me curvo
ao som das cordas pungentes
de um violão amigo.
Na tarde inacabada
dos ciclos vividos,
parto em busca
das utopias.
Vou com meus medos
e levo meu espanto
na bagagem.
Estou só com minha angústia.
Olho o sol e as flores
a me falar de belezas.
Quero agarrar a estrela
que caiu,
ainda iluminada.
Mas a chuva ao final da tarde
desvia meu olhar.
Os ruídos dos pingos
são monótona canção
nos meus ouvidos cansados.
Talvez o meu tédio
nesta cama triste e fria
seja a expressão inequívoca
do barulho da chuva.
E meu pranto
se dilui na chuva,
no riacho e no oceano,
e deságua talvez no amor.
Anunciaram a minha quase morte.
Meu pranto forte
é o choro da criança no berço
sem saber se tem fome
ou sede de afeto.
Meu pranto é o choro
da infância perdida,
dos amigos deixados.
Meu pranto é tudo que desconheço.
Estou no fosso do tempo.
Meu pranto é esta longa travessia
de vozes órfãs.
Meu pranto é choro convulso
pelas composições
que não vou mais criar.
É a falta da família que vou deixar.
Meu pranto é o abismo derradeiro.
E eu enfim me curvo
ao som das cordas pungentes
de um violão amigo.
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
Viagem ao Tempo
Para Adonis Karan
Nas entranhas do oceano
tu te encontras
sem disfarces,
sem fantasias.
E nas águas profundas
areias revoltas,
corais e conchas
contam tuas memórias de vida.
A maresia enche de névoas,
por instantes, teus olhos secos
e transparentes.
Não há mais lágrimas
possíveis.
Choraste todos os prantos.
Te deixas arrastar
sem medo
por vagas e marés
em busca de caminhos.
Ondas te levam
para bem longe.
És um menino,
correndo descalço
pelas ruas do interior.
O som da voz materna
ecoa nos teus ouvidos
de tênues lembranças.
E o afeto da doce fala síria
te comove e te envolve,
acalentando quimeras
e delírios.
Tudo agora faz sentido.
Mas as ondas te devolvem
sem piedade,
bruscamente.
Tentas voltar
para o colo materno,
o mar não deixa.
Tentas agarrar o sonho
com tuas mãozinhas de menino.
Queres construir outras histórias.
Mas enfim te rendes
no turbilhão do ciclo da vida.
Nas entranhas do oceano
tu te encontras
sem disfarces,
sem fantasias.
E nas águas profundas
areias revoltas,
corais e conchas
contam tuas memórias de vida.
A maresia enche de névoas,
por instantes, teus olhos secos
e transparentes.
Não há mais lágrimas
possíveis.
Choraste todos os prantos.
Te deixas arrastar
sem medo
por vagas e marés
em busca de caminhos.
Ondas te levam
para bem longe.
És um menino,
correndo descalço
pelas ruas do interior.
O som da voz materna
ecoa nos teus ouvidos
de tênues lembranças.
E o afeto da doce fala síria
te comove e te envolve,
acalentando quimeras
e delírios.
Tudo agora faz sentido.
Mas as ondas te devolvem
sem piedade,
bruscamente.
Tentas voltar
para o colo materno,
o mar não deixa.
Tentas agarrar o sonho
com tuas mãozinhas de menino.
Queres construir outras histórias.
Mas enfim te rendes
no turbilhão do ciclo da vida.
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
À Deriva
O que me derrota
é saber que o tempo
não está a favor dos ventos.
E nos deixa à deriva.
Desperdiçamos momentos
de ternura e enlevo.
Brigamos por coisas vãs.
E o tempo não perdoa.
Esta certeza arruína
meus sonhos.
Construimos pesadelos.
Um frio desconhecido
percorre
meu corpo.
Já sinto tua falta anunciada.
O futuro nos acena
com partidas,
velas aos mares
e despedidas.
Nada posso fazer.
O amor escorre pelos dedos.
Sinto saudade do carinho
que me supria.
Sinto falta do acalanto
nas noites insones.
Um pouco de fel trava
a conversa de hoje.
Quando tudo era mel,
tu não prestavas atenção.
E o teu descuido,
meu amor,
foi fatal.
Ou talvez inevitável.
é saber que o tempo
não está a favor dos ventos.
E nos deixa à deriva.
Desperdiçamos momentos
de ternura e enlevo.
Brigamos por coisas vãs.
E o tempo não perdoa.
Esta certeza arruína
meus sonhos.
Construimos pesadelos.
Um frio desconhecido
percorre
meu corpo.
Já sinto tua falta anunciada.
O futuro nos acena
com partidas,
velas aos mares
e despedidas.
Nada posso fazer.
O amor escorre pelos dedos.
Sinto saudade do carinho
que me supria.
Sinto falta do acalanto
nas noites insones.
Um pouco de fel trava
a conversa de hoje.
Quando tudo era mel,
tu não prestavas atenção.
E o teu descuido,
meu amor,
foi fatal.
Ou talvez inevitável.
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Sem Forças para Voar
Roubaste de mim
a bússola,
meus parâmetros.
Deixaste-me com
paradoxos.
Teus antepassados
largaram rastros pesados,
incrustados
na tua alma peregrina.
Há areia desértica
que velam teus olhos.
É o legado que recebeste.
É o teu triste e doloroso legado.
Teu sangue sírio
percorre tuas veias e nas
tuas vísceras quentes
vejo adagas e punhais.
Tu te revoltas contra as misérias
do mundo terreno.
Brigas com a humanidade.
Choras o tempo que flui.
Mas nada podes fazer.
E não te libertas
do passado de venturas.
Estás preso como
frágil crisálida
sem forças para romper
o casulo de filamentos,
tecido como o novelo
de Ariadne.
Não tens forças como Teseu.
Queres voar em busca do infinito.
Mas algo te puxa
para o fundo da terra adentro.
Confusa, assustada e enevoada,
imagino outra saída
que me devolva a mim.
Quero a luz das estrelas.
Quero me enternecer,
novamente,
com o cântico dos pássaros.
A vida me convida
a desfrutar suas alegrias.
Quero sonhar com o rio,
a água, a pedra e o vento.
Baco ergue sua taça
e me brinda com seus deleites.
O cosmos reclama
minha demorada ausência.
Mas tua herança atávica
enche de neblina
o meu sonho desperto.
Insone e dividida,
me alimento de cansaço.
E o universo se torna
imensamente cinza.
a bússola,
meus parâmetros.
Deixaste-me com
paradoxos.
Teus antepassados
largaram rastros pesados,
incrustados
na tua alma peregrina.
Há areia desértica
que velam teus olhos.
É o legado que recebeste.
É o teu triste e doloroso legado.
Teu sangue sírio
percorre tuas veias e nas
tuas vísceras quentes
vejo adagas e punhais.
Tu te revoltas contra as misérias
do mundo terreno.
Brigas com a humanidade.
Choras o tempo que flui.
Mas nada podes fazer.
E não te libertas
do passado de venturas.
Estás preso como
frágil crisálida
sem forças para romper
o casulo de filamentos,
tecido como o novelo
de Ariadne.
Não tens forças como Teseu.
Queres voar em busca do infinito.
Mas algo te puxa
para o fundo da terra adentro.
Confusa, assustada e enevoada,
imagino outra saída
que me devolva a mim.
Quero a luz das estrelas.
Quero me enternecer,
novamente,
com o cântico dos pássaros.
A vida me convida
a desfrutar suas alegrias.
Quero sonhar com o rio,
a água, a pedra e o vento.
Baco ergue sua taça
e me brinda com seus deleites.
O cosmos reclama
minha demorada ausência.
Mas tua herança atávica
enche de neblina
o meu sonho desperto.
Insone e dividida,
me alimento de cansaço.
E o universo se torna
imensamente cinza.
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
Ser Feliz
Escolho ser feliz.
Se não me acompanhas,
nada posso fazer.
Quero o regozijo
da alegria.
E a vida mostra suas cores
num arco-íris de encantos,
deslumbramento e magias.
Já te disse que quero
ser feliz.
Não quero ter razão
nem partido.
Quero seguir
a estrada que me convém.
Quero viver
as circunstâncias,
desfazer as ilusões.
Chega de lamento.
Meu pranto não lavará
o sofrimento.
Quero te convidar
a sorrir.
Não sei se irás comigo.
Mas recuso-me a ser infeliz.
Se não me acompanhas,
nada posso fazer.
Quero o regozijo
da alegria.
E a vida mostra suas cores
num arco-íris de encantos,
deslumbramento e magias.
Já te disse que quero
ser feliz.
Não quero ter razão
nem partido.
Quero seguir
a estrada que me convém.
Quero viver
as circunstâncias,
desfazer as ilusões.
Chega de lamento.
Meu pranto não lavará
o sofrimento.
Quero te convidar
a sorrir.
Não sei se irás comigo.
Mas recuso-me a ser infeliz.
quinta-feira, 11 de março de 2010
Quem sabe
O adeus me pesa
e me liberta.
E nas contradições
me aproximo da essência,
lentamente.
Tenho as mãos em concha
e bebo a água da fonte límpida.
Bebo o gesto de amor
que não mais aquecia o corpo.
Danço para as estrelas
e elas me piscam,
confiando seus segredos.
Também revelo os meus.
Falo sobre minhas dores.
Desfio rosários.
E digo para que eu ouça
pra quê sofrer
se a vida me convida
a seguir em frente?
Estranhamente,
vejo uma luz presente.
A vida me arrebata
e me toma pela mão.
Não há como negar
sua fortaleza e sua doçura.
O sol acaba de nascer.
As avenidas e ruas estão
cobertas de luz e de cores.
Oculto dos passantes
meu coração romântico
que ainda bate no descompasso
do amor que se foi.
Anseio por rir
aquele riso puro
e alegre dos infantes.
Entrego ao cosmos a minha dor.
Canto para espantar
a imensa falta de ti.
Quem sabe agora terei
a felicidade dos prados distantes.
E quando a ventania chegar,
há de encontrar um coração
sereno e apaziguado.
e me liberta.
E nas contradições
me aproximo da essência,
lentamente.
Tenho as mãos em concha
e bebo a água da fonte límpida.
Bebo o gesto de amor
que não mais aquecia o corpo.
Danço para as estrelas
e elas me piscam,
confiando seus segredos.
Também revelo os meus.
Falo sobre minhas dores.
Desfio rosários.
E digo para que eu ouça
pra quê sofrer
se a vida me convida
a seguir em frente?
Estranhamente,
vejo uma luz presente.
A vida me arrebata
e me toma pela mão.
Não há como negar
sua fortaleza e sua doçura.
O sol acaba de nascer.
As avenidas e ruas estão
cobertas de luz e de cores.
Oculto dos passantes
meu coração romântico
que ainda bate no descompasso
do amor que se foi.
Anseio por rir
aquele riso puro
e alegre dos infantes.
Entrego ao cosmos a minha dor.
Canto para espantar
a imensa falta de ti.
Quem sabe agora terei
a felicidade dos prados distantes.
E quando a ventania chegar,
há de encontrar um coração
sereno e apaziguado.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Finitude
Concentro-me na tua voz escura
e meus lábios tremem.
Temo o que vais me dizer.
Falas sempre por metáforas.
Imagino teu cansaço de viver.
Imagino as passagens retidas
na memória distante do que viveste.
E te quedas absorto, cismarento
e ausente.
Não digo nada.
Temo este instante incerto,
tenso e recoberto de emoções.
Concordo com o que me dizes
em pensamento apenas.
Pegas meu rosto
e me beijas a testa
com medo que eu desperte
de um sono infeliz.
Percebo que também
estou muito cansada.
Pressinto a ruptura.
A perspectiva do adeus
trava minha garganta
de tantos adeuses já vividos.
A voz da noite me corta
feito navalha.
Sou frágil e forte.
Sou apenas uma mulher
esvaída do sonho.
Éramos talvez o amor
mais comovente.
Mas agora o universo,
a multidão embriagada,
os rios,
as flores e as florestas
nos separam.
E não há o que dizer.
Não há nuvens nos céus.
E no mar gelado e inatingível
vejo ao longe corvos a grasnar
na imensidão do horizonte.
e meus lábios tremem.
Temo o que vais me dizer.
Falas sempre por metáforas.
Imagino teu cansaço de viver.
Imagino as passagens retidas
na memória distante do que viveste.
E te quedas absorto, cismarento
e ausente.
Não digo nada.
Temo este instante incerto,
tenso e recoberto de emoções.
Concordo com o que me dizes
em pensamento apenas.
Pegas meu rosto
e me beijas a testa
com medo que eu desperte
de um sono infeliz.
Percebo que também
estou muito cansada.
Pressinto a ruptura.
A perspectiva do adeus
trava minha garganta
de tantos adeuses já vividos.
A voz da noite me corta
feito navalha.
Sou frágil e forte.
Sou apenas uma mulher
esvaída do sonho.
Éramos talvez o amor
mais comovente.
Mas agora o universo,
a multidão embriagada,
os rios,
as flores e as florestas
nos separam.
E não há o que dizer.
Não há nuvens nos céus.
E no mar gelado e inatingível
vejo ao longe corvos a grasnar
na imensidão do horizonte.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Entrega
Aspiro a maresia
e me sinto livre.
O vento sopra
levando para longe
os meus medos.
O sol desperta o dia e
banha o mar de cores
deslumbrantes.
Sua luz é tão intensa
que expulsa a treva.
Nua e bela
a areia deixa rastros
de pés descalços.
Gaivotas
em voos rasantes
saúdam o dia
que amanhece.
Tudo me parece
perfeito
e sem ruídos.
Por instantes,
fecho os olhos
e não penso.
Extremamente comovida,
me integro à natureza.
Sou una com a criação.
E há plena entrega
neste simples gesto.
e me sinto livre.
O vento sopra
levando para longe
os meus medos.
O sol desperta o dia e
banha o mar de cores
deslumbrantes.
Sua luz é tão intensa
que expulsa a treva.
Nua e bela
a areia deixa rastros
de pés descalços.
Gaivotas
em voos rasantes
saúdam o dia
que amanhece.
Tudo me parece
perfeito
e sem ruídos.
Por instantes,
fecho os olhos
e não penso.
Extremamente comovida,
me integro à natureza.
Sou una com a criação.
E há plena entrega
neste simples gesto.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Confidências
Abstraio-me do mundo
de aparências
e penetro na densa floresta
que os homens ignoram.
Faço confidências
à mãe natureza.
Ela escuta meus queixumes.
Vou à procura
de energias mais sutis.
Me torno árvore fechada
e sem frutos.
E minhas raízes
acariciam a terra molhada.
Piso as folhas
com meus pés nus.
Sinto suas nervuras delicadas.
Recolho pedras pontiagudas
que não me ferem.
O sol está imóvel e a postos
no horizonte.
Sol que me aquece e
não me queima a alma.
Não sei a origem
do som das águas
que ouço longe.
Águas que me devolvem
a essência.
Envolvo-me
no esplendor da natureza.
Saio do beco triste
das lembranças pobres.
Descubro jardins secretos,
lugares jamais visitados.
Canto para falar-te
do orvalho que vi
e da última flor que colhi.
Canto para que saibas
que o adeus ainda paira
nos meus olhos.
É muito tarde, porém.
Sei que apenas canto
para salvar-me.
de aparências
e penetro na densa floresta
que os homens ignoram.
Faço confidências
à mãe natureza.
Ela escuta meus queixumes.
Vou à procura
de energias mais sutis.
Me torno árvore fechada
e sem frutos.
E minhas raízes
acariciam a terra molhada.
Piso as folhas
com meus pés nus.
Sinto suas nervuras delicadas.
Recolho pedras pontiagudas
que não me ferem.
O sol está imóvel e a postos
no horizonte.
Sol que me aquece e
não me queima a alma.
Não sei a origem
do som das águas
que ouço longe.
Águas que me devolvem
a essência.
Envolvo-me
no esplendor da natureza.
Saio do beco triste
das lembranças pobres.
Descubro jardins secretos,
lugares jamais visitados.
Canto para falar-te
do orvalho que vi
e da última flor que colhi.
Canto para que saibas
que o adeus ainda paira
nos meus olhos.
É muito tarde, porém.
Sei que apenas canto
para salvar-me.
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Lugar Sonhado
No fundo, o meu desejo
é caminhar na praia longínqua.
Como se a vida
não tivesse sabor de finitude.
Sigo aquela onda fugidia.
Me quebro nas vagas
do mar indefinido.
Me faço em pedaços.
Nunca mais o tempo da
minha vida será o mesmo.
Mas na espuma do mar
reconheço um lugar sonhado.
Descubro belezas e mistérios
na precariedade da vida breve.
Atravesso a dor, o sal,
a areia e o vento.
Adorno com conchas,
caramujos e caracóis
os recônditos da minh'alma.
Remexo com delicadeza
as feridas dolorosas.
Meu rosto se renova
e me esqueço do gesto esquivo
das tuas mãos de pedra.
Agora canto para me fazer dormir.
Uma canção de paz.
Abandono as vestes usadas.
Coloco guirlandas de papel
nas janelas da casa.
Encho-me de coragem.
Saio do círculo fechado
à procura de uma travessia
que me faça ter a ilusão
de ser feliz.
Onde o silêncio dos astros e
das estrelas seja audível.
Onde o branco das paredes,
o ar límpido do quarto
me faça fechar os olhos
e jamais negar o que se passou.
é caminhar na praia longínqua.
Como se a vida
não tivesse sabor de finitude.
Sigo aquela onda fugidia.
Me quebro nas vagas
do mar indefinido.
Me faço em pedaços.
Nunca mais o tempo da
minha vida será o mesmo.
Mas na espuma do mar
reconheço um lugar sonhado.
Descubro belezas e mistérios
na precariedade da vida breve.
Atravesso a dor, o sal,
a areia e o vento.
Adorno com conchas,
caramujos e caracóis
os recônditos da minh'alma.
Remexo com delicadeza
as feridas dolorosas.
Meu rosto se renova
e me esqueço do gesto esquivo
das tuas mãos de pedra.
Agora canto para me fazer dormir.
Uma canção de paz.
Abandono as vestes usadas.
Coloco guirlandas de papel
nas janelas da casa.
Encho-me de coragem.
Saio do círculo fechado
à procura de uma travessia
que me faça ter a ilusão
de ser feliz.
Onde o silêncio dos astros e
das estrelas seja audível.
Onde o branco das paredes,
o ar límpido do quarto
me faça fechar os olhos
e jamais negar o que se passou.
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